O problema não é o celular. É a mesa.

Ninguém procura um suporte de celular por gostar de suportes. Procura porque está cansado de encostar o telefone numa caneca para acompanhar uma receita, de segurar o tablet no colo durante uma chamada de vídeo de quarenta minutos, ou de ver o aparelho escorregar da almofada bem no meio do vídeo.

A prateleira está cheia de soluções para isso. Quase todas têm dobradiça, mola, braço articulado ou ventosa — e é exatamente aí que elas morrem. A dobradiça afrouxa, a mola perde tensão, a ventosa descola no calor. Você compra um suporte ajustável e daqui a oito meses tem um suporte que não segura mais nada.

O GoDonut vai na direção contrária: não tem nada para quebrar. É uma peça única, pesada na base, com duas ranhuras moldadas. Não ajusta porque não há o que ajustar.

GoDonut preto na escrivaninha, com o celular ao lado do monitor

Como funciona

Você apoia o GoDonut numa superfície plana e encaixa o aparelho em uma das duas ranhuras. A de trás deixa a tela mais em pé, a da frente deixa mais deitada. É a diferença entre ler uma receita olhando de cima e assistir a um vídeo sentado à mesa.

A base é o ponto de engenharia. O peso fica concentrado embaixo e o diâmetro é maior que a altura, então o conjunto não tomba quando você toca na tela — que é o teste que a maioria dos suportes baratos falha. Você consegue rolar a página e digitar sem segurar o aparelho com a outra mão.

O PLUS+ é a versão que resolve a queixa mais comum das anteriores: a ranhura é mais larga e aceita celular com capa grossa, incluindo as de proteção reforçada. E ganhou uma abertura na frente para o cabo, de modo que dá para carregar com o aparelho encaixado.

GoDonut na cor verde-água, visto de frente, com as duas ranhuras GoDonut vermelho, mostrando a base larga e baixa

O que pesa a favor

Não tem o que quebrar. Vale repetir porque é o argumento inteiro do produto. Num acessório de US$ 30, a pergunta relevante não é o que ele faz hoje, é se ainda faz daqui a dois anos. Peça única de plástico maciço tem uma taxa de falha próxima de zero — não porque seja bem construída, mas porque não há mecanismo.

Serve celular e tablet no mesmo objeto. A mesma peça segura um iPhone e um iPad de 10 polegadas. Isso não é comum: a maioria dos suportes de celular não aguenta o peso de um tablet, e os de tablet ficam ridículos com um celular.

Aceita a capa que você já tem. Parece detalhe e não é. Suporte que obriga a tirar a capa vira suporte que você não usa. O PLUS+ foi desenhado à volta desse problema.

Escala real. A marca fala em mais de um milhão de unidades vendidas. É número do fabricante, não auditado por nós — mas um produto com esse volume e com defeito estrutural já teria reputação pública ruim. Não tem: a cobertura de imprensa que encontramos é morna a positiva, e não achamos registro de queixa em órgão de defesa do consumidor.

Mão tocando a tela do celular encaixado no GoDonut branco, sobre mesa de madeira ao ar livre

Onde ele decepciona

Não testamos, então não vamos inventar defeitos. Estes são os pontos que quem já usou levanta, e que o anunciante naturalmente não destaca.

A barra da frente tapa a base da tela. Com o celular em pé, a borda do anel cobre a faixa inferior — justamente onde ficam a barra de gestos do iOS e do Android e o teclado. Para assistir e para chamada de vídeo, tanto faz. Para responder mensagem com o aparelho encaixado, incomoda. O Cult of Mac levantou isso ao testar os modelos anteriores, e a geometria do anel não mudou no PLUS+.

Dois ângulos e ponto final. Se a sua mesa é alta, se você é alto, ou se a luz da janela bate na tela num ângulo ruim, você não tem o que fazer. Um suporte articulado resolveria; este não. É o preço de não ter mecanismo.

Tablet grande não entra bem. Funciona até uns 10 polegadas. Um iPad Pro de 12,9 pol. é pesado e alto demais para uma base desse diâmetro.

É plástico de US$ 30. Não tem acabamento em alumínio nem imã. Você está pagando pela ideia e pela durabilidade, não pelo material. Quem espera peso de objeto caro vai achar simples demais.

Quanto custa mesmo — e onde a conta muda

Aqui vai a parte que nenhum site de review escreve, porque atrapalha a venda.

A própria marca vende mais barato. No site oficial da GoDonut, o PLUS+ está por US$ 24,99 a unidade, nas dez cores. O funil promocional para onde os nossos links apontam pede US$ 29,99 pela mesma unidade. São cinco dólares de diferença, 20% a mais.

A ressalva é que a política de envio do site oficial só fala dos Estados Unidos — frete grátis pelo USPS acima de US$ 50 — e não menciona envio internacional. O funil promocional diz explicitamente que faz entrega internacional. Ou seja: para quem está no Brasil ou em Portugal, o funil é provavelmente o único caminho real. Provavelmente, porque não confirmamos isso com o suporte da marca.

A partir de duas unidades, a conta inverte. No funil, 3 unidades saem por US$ 59,98 (US$ 19,99 cada) e 5 por US$ 89,97 (US$ 17,99 cada). Isso é abaixo do preço da loja oficial, e com folga. É por isso que os nossos botões apontam para o pack de 3 e não para a unidade: comprar uma sozinha é a pior compra das três.

E ainda há o imposto. Vale saber onde você está, porque as regras mudaram este ano nos dois lados.

No Brasil, a Medida Provisória nº 1.357, em vigor desde 13 de maio de 2026, zerou o Imposto de Importação para compras de até US$ 50 feitas em lojas do programa Remessa Conforme. Sobra o ICMS estadual, que fica entre 17% e 20% conforme o estado. Uma unidade de US$ 29,99 entra nessa faixa; o pack de 3, a US$ 59,98, passa dos US$ 50 e volta a pagar Imposto de Importação — hoje a 30%, não mais a 60%. Vale fazer a conta antes de escolher o pack.

Em Portugal foi ao contrário. Desde 1 de julho de 2026 a UE acabou com a isenção aduaneira das encomendas abaixo de 150 € e passou a cobrar uma taxa fixa de 3 € por categoria de produto, somada ao IVA de 23% que já se pagava. Os cerca de 26 € da unidade chegam à porta perto dos 35 €, mais portes.

GoDonut na mesinha do avião, segurando o celular durante o voo Tablet apoiado no GoDonut cor-de-rosa durante alongamento no tapete

A favor

  • Nenhuma parte móvel — nada afrouxa nem quebra
  • Base pesada: não tomba quando você toca na tela
  • Serve celular e tablet no mesmo objeto
  • Aceita capa grossa, sem precisar tirar
  • Abertura para carregar com o aparelho encaixado
  • Cabe no bolso e no porta-luvas
  • Dez cores, incluindo as discretas
  • 30 dias de devolução

Contra

  • A barra da frente tapa a base da tela em pé
  • Só dois ângulos, sem ajuste fino
  • Tablet acima de 10 pol. não se sustenta bem
  • US$ 29,99 na unidade, contra US$ 24,99 na loja da marca
  • Sem imã, sem alumínio: é plástico
  • Ainda não testado por nós no dia a dia

Vale o dinheiro?

Vale se você tem um lugar fixo onde o celular vive de pé — a bancada da cozinha, a mesa de cabeceira, o canto da escrivaninha — e já se irritou com suporte que afrouxou. Aí você está comprando o fim de um aborrecimento pequeno e diário, que é o melhor tipo de compra barata que existe.

Não vale se o que você quer é ajustar o ângulo, se usa tablet grande, ou se responde mensagem com o aparelho encaixado o tempo todo. Nesses três casos o anel te atrapalha mais do que ajuda, e um suporte articulado de metal resolve melhor pelo mesmo dinheiro.

E não vale comprar uma só. Na unidade você paga mais caro do que na loja da própria marca. Se a compra fizer sentido, faz no pack de 3 — um na cozinha, um na mesa de cabeceira, um para dar de presente — que é onde o preço por peça cai para US$ 19,99 e a conta finalmente fecha a seu favor.

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