Em junho de 2021 o Google Fotos deixou de ser gratuito e ilimitado. Foi o fim de uma era em que se podia atirar tudo para a nuvem sem pensar. Cinco anos depois, quase toda a gente vive de uma de duas maneiras: com os 15 GB gratuitos cheios há muito tempo, ou a pagar todos os meses para não os encher.

Mulher falando para a câmera com expressão de surpresa

A conta de dez anos

Em Portugal o armazenamento na nuvem é barato. Vale dizê-lo já, porque é a parte que quase todos os textos sobre isto escondem: o plano de 100 GB do Google One custa 1,99 € por mês, ou 19,99 € se pagar o ano de uma vez.

Vinte euros por ano não arruína ninguém. Em dez anos são cerca de 200 € — e o PhotoStick OMNI custa US$ 39,99, uma vez. A diferença existe, mas não é dramática, e seria desonesto vender-lhe isto como se fosse.

O que muda a conta é outra coisa: não há um ano em que a renda acabe. Não é uma compra que se amortiza. No dia em que deixar de pagar, o armazenamento volta aos 15 GB gratuitos — partilhados entre o Gmail, o Drive e as Fotos ao mesmo tempo — e tudo o que estiver acima disso fica em risco. Quem tem a caixa de correio cheia de anexos desde 2012 já entra nesta conversa com metade do espaço gasto antes de tirar a primeira fotografia.

Não é só o dinheiro

O custo mais alto de uma assinatura não aparece na fatura. Aparece daqui a oito anos.

Uma conta na nuvem depende de continuar a ter acesso à conta. Depende do e-mail que usou em 2018 e a que talvez já não aceda. Depende da verificação em dois passos ligada a um número de telefone que pode já não ser seu. Depende de a empresa manter os termos que tinha quando começou — e a mudança de 2021 mostrou que os termos mudam.

As fotos continuam a existir num servidor nalgum sítio. O acesso é que se perdeu.

Fotografias espalhadas no ecrã e uma mensagem sendo enviada com algumas delas

O outro modelo

O ThePhotoStick OMNI resolve a mesma coisa de outra maneira: paga-se uma vez.

É um pen com um programa gravado dentro. Basta ligar no computador ou no telemóvel, clica uma vez em "GO", e ele varre o aparelho atrás de fotos e vídeos, ignora o que já tinha copiado, descarta duplicados e organiza tudo por data. Guarda até 60.000 fotos e vídeos e lê mais de cem tipos de ficheiro.

Não pede conta. Não pede palavra-passe. Não precisa de internet. Custa US$ 39,99, uma vez, e não volta a cobrar nada — nem no ano que vem, nem daqui a dez.

Comparação: o pen vence em custo único, funcionar sem internet, dispensar conta e sobreviver ao fim da empresa; a nuvem vence em cópia fora de casa, sobreviver a incêndio ou roubo, copiar sozinha e abrir de qualquer aparelho.

Onde a comparação não é justa

Seria desonesto acabar sem isto: a nuvem faz uma coisa que um pen não faz. A cópia está noutro lugar, longe da sua casa. Se a casa arder, as fotos na nuvem sobrevivem e o pen na gaveta não.

É por isso que quem trabalha com dados segue a regra de três cópias, dois suportes, uma delas fora de casa. O ideal não é escolher entre os dois — é ter os dois.

Mas o ideal não é onde a maioria das pessoas está. A maioria está em zero cópias, com tudo dentro de um telemóvel, a adiar a decisão porque a nuvem parece um compromisso e o backup à mão parece uma tarde perdida. Para essas, pagar uma vez e resolver o assunto é a opção que realmente acontece.

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